sábado, 10 de janeiro de 2009

Mas existe verdade?


Hoje eu tive um sonho mais ou menos assim:
cheguei no quarto e em cima da estante vi um monte de cartas. Um montinho mesmo, de envelopes. Fui vasculhar e vi que todas eram para mim, de amigos que nunca mais me mandaram cartas. Amigos dos quais é improvável que receba cartas novamente.. (improvável, porque nada é impossível). Acho que o motivo era o Natal. Natal este que nem comemoro mais - como gostaria. Lembro que a primeira que eu abri pra ler tinha um monte de fotos, daquelas que ninguém vê quando são tiradas. Tava lindo. Muito. Foi uma surpresa porque eu nunca mais estive em fotos.. nunca mais estive nos momentos - e a vida é feita deles. Cheguei à conclusão de que minha vida precisa de um pouco mais de vida. Muito mais. 
Não sei exatamente como consertar o que fiz. Como resgatar o sorriso sem hora marcada, a risada numa tarde tediosa sozinha em casa, o cantarolar durante o banho, os planos de viagens que talvez só se concretizem em 7 anos, e a vontade de mostrar isso pra todo mundo, de exibir a alegria que escapa mas não acaba?
Eu peço por favor, que venha a resposta, a solução. Mas fechada como estou, daonde virá? Numa carta talvez? Só se for em sonho.



na verdade ninguém nunca se fecha (por completo).

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Hey There

Cavando um buraco cada vez mais fundo...
toda vez que me vejo saindo dele, vou lá e cavo um pouco mais.
Por que fazemos isso as vezes?
E se um dia for tarde demais pra voltar pra superfície? Onde o clima é mais ameno.. quente e ensolarado..

como voltas na calçada sem ter pra onde ir, sem querer saber pra onde ir, sem querer chegar a lugar nenhum, só ir.. e nunca ir embora (sem ele).

O que mais pode ser?

sábado, 20 de dezembro de 2008

I am ready


Quando eu era pequena..
Pensava em um monte de coisas que eu queria ser. Tinha coisas que eu não gostava mas queria gostar, coisas que eu não tinha que eu queria ter. Se visse num filme uma atriz bonita e gostasse do jeito que ela mexe a boca, eu fazia igual. Um jeito bonito de mexer no cabelo, um jeito de sorrir..
Muito disso faz parte de mim hoje. Foi assim que quis, eu que inventei. Foi ficando natural, mas surgiu como uma idéia, até se tornar quem eu sou.
O que eu quero dizer é..O Sol está dentro de você. Ou qualquer outra estrela, planeta, ou até mesmo a menor poeira cósmica.. todas elas brilham - se você quiser.
Este é um recado para todos vocês que estão brilhando enquanto eu não posso, enquanto me contraio até poder me expandir de verdade: Me aguardem.

domingo, 7 de dezembro de 2008

A Fuga


A mente é uma coisa perigosa..
tente repetir muitas vezes a mesma coisa pra si mesmo. A partir de um momento você vai começar a acreditar.
Isso me dá medo.
They keep telling me that I don't eat,
And even though I know that I do,

eu me olho no espelho e sinto minha barriga contraída..

Tem dias que você acorda e parece que tá sem forças pra tudo?!
Hoje é um desses pra mim...
eu queria simplesmente aceitar que estou cansada, sejá lá do que for. Se eu ando cansada é no inconsciente afinal o que mais tenho feito ou pelo menos tentado, é descansar. Talvez seja disso que eu esteja cansada... Descansar é algo que se faz quando não se está fazendo nada, and I try too hard, isso cansa.

Engraçado é que em dias assim eu vejo os outros e sinto inveja. Imagino que ninguém esteja sentindo o que sinto agora, sempre fui assim. When I'm sick I look at other people and think to myself : 'Raiva! Ele tá bem e nem ao menos deve estar aproveitando.'
Não é inveja ruim, é só uma fraquinha - daquelas que passam quando arranjo algo mais interessante pra fazer.

O tédio é meu pior inimigo.. "Mente vazia é a oficina do diabo" nunca fez tanto sentido pra mim. E é por isso que eu escrevo esse monte de linhas que ninguém vai ler. Escrevendo e lendo eu esqueço das loucuras e neuroses que não me largam.

medo, stress, ansiedade..
três palavras para descrever 2008.

Uma noite dessas eu fiquei feliz pelo ano estar acabando,
Daí lembrei de que nada muda de um dia para o outro..
Fiquei (mais) triste.
Se bem que, dizem tanto por aí que o ano novo é um recomeço, uma nova vida a cada virada de dezembro para janeiro.. Repetem essa baboseira todo ano..
Uma hora eu passo a acreditar.

domingo, 9 de novembro de 2008

O medo


Sabes
por vezes queria beijar-te
sei que consentirias
mas se nos tivéssemos dado um ao outro ter-nos-íamos separado
porque os beijos apagam o desejo quando consentidos
foi melhor sabermos quanto nos queríamos
sem ousarmos sequer tocar nossos corpos
hoje tenho pena
parto com essa ferida
tenho pena de não ter percorrido teu corpo
como percorro os mapas com os dedos teria viajado em ti
do pescoço às mão da boca ao sexo
tenho pena de nunca ter murmurado teu nome no escuro
acordado
perto de ti as noites teriam sido de ouro
e as mãos teriam guardado o sabor de teu corpo
ah meu amigo
estou definitivamente só
estou preparado para o grande isolamento da noite
para o eterno anonimato da morte
mas perdi o medo
a loucura assola-me
preparo a última viagem às Índias imaginadas
disseram-me que só ali se pode descansar da vida
e da morte
perscruto a razão profunda desta viagem
ou talvez seja já a torna-viagem o que vislumbro
e não valha a pena partir porque já estou de volta
sem o saber
hesito em deixar-te escrito mais do que um simples adeus
de qualquer maneira por muito longe que me encontre
se pousares a tua mão sobre a minha testa senti-lo-ei
esse gesto aliviar-me-á de todas as dores
(...)
a cidade está cada vez mais rente à nossa separação
caminhamos em direcções opostas
ou melhor
eu caminho enquanto tu não existes
a noite aproxima-se com seus territórios de sombra e fábula
areias penumbras oscilantes apagando resíduos de corpos
teu corpo minúsculo arrefece dentro de mim
quando as feras despertam nos olhos abandono-me
à lama colorida dos terrenos vagos
dói-me a voz ao chegar aos lábios
os dedos penetram o metal cintilam
conchas abertas ao sonho
onde terei abandonado a nossa paixão?
(...)
abandono-te para além da linha nítida da manhã
onde dizem que tudo existe se transforma e continua vivo
longe
muito longe desta inocente memória das Índias

[Al Berto - O Medo]

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

É assim

..que eu me sinto.