sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sobre o Nada

Eu te perdôo. Eu te perdôo por todos os caras que você bloqueou pra mim, porque era difícil de mais me ver com outra pessoa - Mesmo sabendo que eu nunca conseguiria me encaixar em nenhum outro abraço porque tinha me moldado pros seus braços. E perdôo até quando você passava por mim e eu tinha de fazer força pra não te olhar...doía. E no canto do olho eu te via não se importar - fingindo ou simplesmente sendo muito melhor do que eu nesse jogo de esquecer .
Passei meses fugindo pra todos os lugares, e em todo lugar lá estava você. Eu só queria não me importar quando você aparecia, mas todas as músicas eram feitas pra nós, todos os textos e filmes eram baseados na gente. Eu perdôo você pelas noites que me roubou por estar sempre presente sem me deixar conseguir respirar direito e nem pensar em outra coisa que não fosse se você iria me olhar e ver que eu estava muito bem, obrigada. Pateticamente fingia, e nem eu acreditava.
E perdoei você por nunca me deixar ir. Todas as vezes que eu conseguia convencer alguém de que você nao era mais o tema da minha vida, você aparecia. Arrancava todo o calor da minha barriga quando de repente mandava um e-mail dizendo que me amava, e que tava bêbado demais e chorou por mim na frente de todo mundo, que sabia que tinha me perdido. E me ligava escondido na festa para desejar feliz ano novo, marcando mais um ano que ia começar comigo pensando em você. Eu te perdôo, mesmo você tendo roubado meu coração sem devolver até alguém ter chegado e colocado outro no lugar.
Você me fez de menina. Me vi deixando recados na mesa pra ler a sua resposta depois, achando a sua letra ridícula a forma de poesia mais bonita do mundo.. E eu te quis tanto e você não foi homem pra dizer que não gostava mais de mim ou pra dizer que me amava, insistindo em me manter por perto, mas de longe. Eu morria, morria devagar. Era uma estúpida esperança de um dia viver com você de novo, de um dia finalmente não te ver desistir de pertencer a alguém. De ser meu. E eu, já era toda sua. Eu fui sua desde o início, quando saber que você me queria foi uma surpresa e quando te mostrar que comecei a te querer te surpreendeu.
Eu te perdôo, apenas porque passou. Toda a dor, todo o amor e toda a vida vazia e cheia de trilha sonora triste, passou. E passou de tal maneira que hoje eu nem sei porque te amei, nem sei porque sofri. Só sei que descobri agora o que é amar alguém, de verdade.
Te perdôo porque depois de 36 meses quando você veio me pedir pra te esperar, pra não deixar ir embora o mínimo que pudesse restar, já não havia absolutamente nada pra guardar no meu peito. E te perdôo porque quando você quis ver o nascer do sol na praia, eu tinha alguem de quem gostava de mais pra querer magoar por sua causa. E eu não tive vontade. Eu não tive mais vontade de ter momentos do seu lado, de conquistar um espaço na sua memória. Porque você me esqueceu de mais quando tudo o que eu sabia era lembrar. E a vida depois de você me confundiu, mas por fim mostrou o quanto eu posso ser amada... E eu tirei todas as pedras da mão quando vi que não era mais um 'você' dizendo que me amava pra depois me largar, sem me soltar.
Eu te perdôo porque suas piadas nunca mais tiveram graça, não fico mais vermelha quando você sorri pra mim. Te perdôo porque todas as coisas que nós tínhamos de igual, hoje sou feliz ao ver como são diferentes.
E essa nossa história, hoje vejo ter sido criada por mim. E ela não mexe mais comigo, nem um pouco. Eu te perdôo, porque te esqueci. Mas eu nao te perdôo por uma coisa - Doeu muito e agora eu tenho medo. Conheci pessoas bem melhores que você, as deixei entrar, conheci a mãe e o pai, fui o amor da vida deles, me declarei, me apaixonei de verdade, loucamente, esqueci o que era a vida antes de eles chegarem.. Mas a dor. A dor quando vem, me seca. A dor que molhava meus olhos quando você ia embora, hoje só me deixa dura. E eu descobri depois de muito pensar, que a culpa é sua. Foi sua culpa eu ter ficado assim. E eu não te perdôo, até esse medo passar.
E você, quem nunca vai ler estas linhas, quem nunca vai saber que depois de 60 meses pensei nisso tudo, você vai lembrar de mim. Você lembrou de mim quando seu namoro não deu certo porque ela tinha o que você gostava em mim, mas não era eu. Você lembrou de mim quando a formatura chegou e o colégio que era o cenário de nós dois não ia existir mais. Você lembrou de mim quando eu voltei, fui embora, e nem me despedi. Depois de vezes que você partiu e me partiu, eu te feri com a falta de um adeus. Te feriu porque você soube - eu fui embora e não precisei dizer. Eu não voltei mais. Aquela garotinha que você tinha nas mãos se foi.
E aquela frase que eu nunca disse, aquela da qual discordo, aquela que ultrapassa os limites do clichê ela aparece se eu penso em você, como hoje - "Tarde demais" - Às vezes é, e no seu caso foi. Então boa sorte, que encontre primeiro coragem e depois alguem pra amar. E por favor leve de volta esse medo que me deu, não deixe nada comigo. Não quero mais nada seu. Essa é a última vez que você é tema de algo. E hoje eu posso, dessa vez eu que decido - Acaba no ponto final.


quinta-feira, 18 de junho de 2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Repito

o que os olhos não veem o coração não sente
e a imaginação como fica ?

cegue-me ou deixe-me


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Boa Noite

"Tudo isso me incomoda e eu acho que deveria incomodá-los também. Isso é o que mais me incomoda. E ter algo me incomodando assim me entope os sentidos. Não me conformo com as atitudes e o modo de ser, como se isso fosse o suficiente. O que eu quero dizer é que esse ar parado já se esgotou de oxigênio faz tempo e eu não consigo mais respirar. Preciso sair e encontrar seja lá o que for que me faça sentir em casa e sem essa sensação (...)
Ir pra um dia voltar - temporariamente. Viver assim nunca mais."
 

sábado, 23 de maio de 2009

E o que é que você tem a ver com isso

..eu prefiro infinitamente mais sentir cada corte na minha fina camada do que ser dura e rígida como você.
decidi sentir ao invés de fingir que tudo isso é normal,
e eu não me iludo como você diz,
carinho não é uma ilusão.
Amor não é uma ilusão.
Essa maldade toda te consome e transborda fazendo os outros parecerem tão envenenados quanto o seu coração..

Eu sinto muito, mas não posso mais fazer parte disso.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

From me to you

E se eu te dissesse que te amo, você acreditaria?
Eu fujo sempre que meu coração começa a transbordar pelos olhos, sem molhar.
Somos dois estranhos num mundo tipicamente normal. E eu não sinto nada, nada por você.
Porque quem manda na minha cabeça sou eu. E toda vez que nós não nos tocamos, não podia ser mais íntimo.
Você sabe muito bem.

Foi quando você foi embora sem eu te pedir pra ficar que eu nunca te esqueci...

Dois estranhos. E por que é que parece tão certo quando estamos sentados e a hora some e o dia some e as pessoas somem.. e a gente fica. ?
No one gets me like you do.

Já acostumada com o mundo de mentira, minhas brincadeiras eram meu modo de fazer olharem pro lado e rirem se começassem a chegar perto demais.. e vissem que eu não ria. Não via graça.

O mundo era uma piada sem graça que eu insistia em entender.

E no meio de tudo isso - o único que me fez rir.
Eu gargalhei tão alto e não era pra todo mundo ouvir.. eu não precisava mais. Ri alto demais e era pra mim, era pra nós dois. Ninguém mais precisava saber.

E eu que não sentia nada por você, e tudo, que era brincadeira, me impediu de fingir de novo quando eu parti. O que era de plástico perdeu o sentido..

Você é a melhor risada que eu já dei,
o meu maior sorriso,
o único que nunca forcei e que não me força a mudar.

Dois estranhos nesse mundinho de tipicamente normais. E um universo inteiro pra gente se perder e passar a vida insistindo, sem entender. Mas eu encontrei você e você me encontrou. E eu me encontrei e você se encontrou, no único lugar onde podíamos estar..

nós.

domingo, 17 de maio de 2009

Assim

A cena é assim ( quase escrevi “foi assim”. Corrigi-me a tempo. As cenas da alma não têm passado. Elas acontecem sempre no presente ). Eu e o meu filho de três anos estamos na sala de estar da nossa casa. Só nós dois. Havíamos terminado de jantar. No sofá, sua cabeça está deitada no meu colo. É a hora de contar estórias, antes de dormir. Aí ele me diz: “Papai, põe o disco do violão...” Levanto-me e pego  o disco. Tomando toda a capa, a figura de um violino. Mozart. Ponho a peça que ele mais ama: “Uma pequena serenata”.  É impossível não amar a pequena serenata... Quem poderia resistir à tentação de voar que ela produz? Pode ser que o corpo não voe. Mas a alma voa. Ouvir a “Pequena Serenata” é uma felicidade... ( Note que a “Pequena Serenata” é inútil. Não serve para nada. Ela é uma criatura da “caixa dos brinquedos”, lugar da alegria...)

Quando eu me esforçava por exercer a arte da psicanálise ouvi de uma paciente: “Estou angustiada. Não tenho tempo para educar minha filha.” Psicanalista heterodoxo que eu era, não fiz o que meu ofício dizia que eu deveria fazer. Não me meti a analisar seus sentimentos de culpa. Apenas disse: “Eu nunca eduquei meus filhos...” Ela ficou perplexa. Desentendeu. Expliquei então: “Eu nunca eduquei meus filhos. Só vivi com eles...” Ali, naquela noite, não me passava pela cabeça que estivesse educando meu filho. Eu só estava partilhando com ele um momento de beleza e felicidade. E se a Adélia Prado está certa, se “aquilo que a memória amou fica eterno”, sei que aquela cena está eternamente na alma do meu filho, muito embora ele tenha crescido e já esteja com cabelos brancos. Parte da alma dele é a “Pequena Serenata”, o disco do violão... E por isso, por causa da  “Pequena Serenata”, ele ficou mais bonito...



por: Rubem Alves